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'Aprendi com Paulo Gustavo que era possível ter uma família gay', diz viúvo, Thales Bretas, que lança Instituto com o nome no humorista no dia em que ele faria
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Paulo Gustavo faria 48 anos nessa sexta-feira (30). A data não é nada fácil para Thales Bretas, viúvo e pai de dois filhos com o humorista. Em entrevista ao videocast ' Conversa vai, conversa vem ', o dermatologista contou sobre como lida com a chegada desse dia, escolhido para lançar o Instituto Paulo Gustavo, com exposição, sessões de peça e oficinas artísticas gratuitas na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema no Rio. A ONG vai organizar e cuidar do legado do artista. Leia trecho:
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Em meio fez cinco anos da morte do Paulo Gustavo e amanhã seria aniversário de 48 anos dele. Como você lida com a data?
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Eu tento ressignificar tanto o dele quanto o meu, que foi o dia em que ele se internou, 13 de março. 13 sempre foi o número da sorte para mim, eu nasci 13 de março meus filhos nasceram com 13 dias de diferença. E em 13 de março, quando eu ia fazer 33 anos, idade de Cristo crucificado, o Paulo se internou na madrugada, foi um corre, um dos piores dias da minha vida. Desde então, tento ressignificar tanto o meu quanto o dele. O Instituto está me ajudando muito com isso porque a abertura vai ser dia 30 e todo ano a gente vai comemorar mais um ano do Instituto.
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Exatamente, e o espaço da saudade que ele me deixou com uma atividade que está me deixando super motivado, que vai dar orgulho para os meus filhos, trazer a memória do pai deles para eles e para o Brasil inteiro, manter essa memória viva. Quem conviveu com Paulo sabe o tanto que ele gostava de celebrar os aniversários, ele era bem festeiro. E agora ficou esse buraco que tentei preencher com a inauguração do Instituto. Agora, todo ano vou poder comemorar que o legado dele está sendo preservado, fazer uma festa como ele gostaria e mostrar o acompanhamento desse serviço que vou prestar para a comunidade.
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Não. Meus filhos eram muito pequenos quando Paulo partiu, tinham um ano e meio quando se internou. Têm uma memória fragmentada de tudo que viveram já é um sofrimento coletivo que tenho que lidar diariamente. Encontro as pessoas e elas me lembram. Foi um momento histórico e sensível para todo mundo e para a nossa família, é especialmente difícil. E eu não fico tentando celebrar , não tenho essa facilidade de celebrar esse momento de luto fazendo bolinho. Fico tentando ao máximo levar uma vida mais normal dentro de casa porque eles já são lembrados muito desse luto.
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O Instituto Paulo Gustavo organiza o legado do Paulo em nível nacional. Explica como surgiu a ideia e qual é a missão da ONG?
Sempre tive vontade de mostrar um pouquinho do Paulo backstage. As pessoas têm muito carinho por ele, um cara carismático, que tem um espaço especial na vida das pessoa. E ele tinha um closet muito específico, gosto pelas artes e pela moda. Quis mostrar isso e uma amiga minha por acaso, a Juliana Cintra, que me ajudou. Ela morou no meu apartamento, enquanto eu viajava com os meninos. O closet dele estava intacto ainda porque eu tinha essa ideia, mas não tinha força para fazer, não sabia o que fazer com as roupas. E ela me ajudou. Fizemos a exposição no MAC em 2025, e o feedback que recebi foi incrível. Muita gente LGBTQIA+ contando sobre a famílias que aceitaram relações gays a partir do trabalho do Paulo, o Brasil ainda é muito preconceituoso. Achei a um significado nisso, no poder do legado do Paulo, nessa construção da nossa família. Tenho essa responsabilidade social e gosto muito de participar desse movimento de aceitação das famílias. Porque um grande sonho meu era casar e ter filhos. Quando me descobri gay, não sabia que isso era possível. Aprendi com o Paulo também. Consegui realizar esse grande sonho. E muitas pessoas se inspiraram na nossa história porque ele colocou isso nos filmes e nas artes dele. Uma das grandes coisas dele foi exorcizar todas as dificuldades que viveu ao longo da vida em seus trabalhos. Isso é um grande poder das artes. Sou apaixonado por arte.





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