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VÍDEO: Amyr Klink lembra como remou sozinho por 100 dias e se alimentou sem pescar: 'Que nem fazer churrasco com seu pet'

por Redação Pérola FM

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100 Dias , novo filme do diretor Carlos Saldanha, estreia em salas de cinema nesta quinta-feira (29), resgatando uma história bem real que aconteceu em 1984: a primeira travessia solitária a remo do Atlântico Sul, entre Namíbia e Bahia, concluída com sucesso. O feito foi realizado pelo navegante paulistano Amyr Klink , que passou os cem dias do título em mar aberto.

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Trata-se de um passo vasto, mas inicial: depois da viagem vieram outras, como os sete meses que passou preso no gelo da Antártica, em 1990, e duas voltas ao mundo realizadas nas águas gélidas do sul - a forma mais curta, mas também a mais perigosa, de contornar o globo.

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"Essa primeira travessia me jogou nesse mundo e no final transformei isso na minha profissão", conta Amyr Klink para a série de vídeos GQ Docs , da GQ Brasil (ASSISTA ABAIXO). "Não tenho circuito com grades em volta, com ambulância para socorrer se dá errado, não tem isso no mar. Não tem plateia, não tem ninguém batendo palma. É você por você mesmo. E é muito gratificante quando você completa cada ciclo."

Na conversa, Klink destaca que a solidão não era absoluta durante os dias solto no oceano. Havia o contato frequente com radialistas, pontuais com capitães de outras embarcações, mas também com companheiros não humanos, como os dorados, peixes-voadores e tubarões - "eu fazia parte de um ecossistema.", comenta.

"Muita gente perguntou: 'Ah, mas você não pescava?' Para mim pescar era que nem fazer churrasco com o seu pet. Caramba. Eles são meus amigos, para que que eu vou pescar eles?", ri. Ao longo dos 100 dias, Klink se alimentou de refeições pré-preparadas e organizadas pela nutricionista Flora Spolidoro, em parceria com a empresa paranaense Nutrimental. Eram porções cozinhadas com a própria água do mar.

Além da viagem, o navegador também fala sobre a influência dos pais na sua trajetória, e cita a respeito da criação das filhas, Marina Helena, 26, e das gêmeas Laura e Tamara, 29 (esta também velejadora e escritora, como o pai).

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"Cada vez que voltava de uma viagem, gostava de sentar no pé da cama das minhas filhas e contar as histórias da última jornada. Elas ficavam magnetizadas, não conseguiam pegar no sono. ‘Papai, essas não são histórias de dormir, são histórias de acordar.’ Depois veio o troco. Quando foram levadas para a Antártica pela primeira vez, as meninas olharam para as geleiras, as baleias, a orcas, as colônias de pinguins. Era tudo verdade", lembra.

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