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Amyr Klink: conheça história do navegador que inspirou '100 dias', filme de Carlos Saldanha

por Redação Pérola FM

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Em junho de 1984, aos 28 anos, o navegador brasileiro Amyr Klink partiu de Lüderitz, na Namíbia, com um objetivo que parecia loucura: atravessar sozinho o Atlântico Sul em um barco a remo. Ali, ele iniciou uma viagem que duraria cem dias e terminaria no litoral da Bahia. A aventura, que entrou para a história da navegação, agora chega aos cinemas em “100 dias”, filme dirigido por Carlos Saldanha que estreia nesta quinta-feira (29), com Filipe Bragança no papel do explorador.

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Conhecido por animações como “A era do gelo” e “Rio”, Saldanha adapta agora o livro “Cem dias entre céu e mar”, publicado por Klink em 1985. O longa acompanha a travessia e também revisita episódios da vida do navegador, com cenas de sua infância, da preparação para a expedição e da relação com a família.

Em “100 dias”, Filipe Bragança interpreta Klink durante a expedição e em momentos anteriores à partida. O elenco também conta com Felipe Camargo, no papel de Jamil Klink, pai do navegador, e Philippine Leroy-Beaulieu, como Asa Frieberg Klink, a mãe. João Vitor Silva interpreta Tymur Klink, irmão de Amyr.

Filho de pai libanês e mãe sueca, Amyr Klink passou a infância e a juventude entre São Paulo e Paraty, na Costa Verde fluminense. Foi na cidade litorânea que começou a construir sua relação com o mar. Aos dez anos, comprou sua primeira canoa, feita pelo mestre canoeiro Mané Santos. Em vez de jogar futebol, conta que gostava de sair remando e passear pelas ilhas da região, especialmente a Ilha das Pombas.

Quatro anos antes da travessia, Klink havia sofrido um acidente que comprometeu os movimentos da mão. Durante o período de recuperação, passou a estudar rotas marítimas, relatos de navegadores e técnicas de sobrevivência no oceano. Em entrevista ao GLOBO , em 2019, ele rejeitou a ideia de que a expedição tenha sido motivada por um desejo de superação física

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Isso é uma bobagem, nunca fui movido por superação ou essas besteiras. O que me irritou é que, na ocasião, um dos médicos disse que eu não poderia remar e andar de moto, duas coisas que eu fazia e que continuo fazendo — contou.

A preparação envolveu, ainda, aprender a calcular a posição da embarcação pelos astros, um curso de rádio-operador internacional, dieta, treinos e ingestão adequada de líquidos.

Como não poderia depender de reabastecimento durante a viagem, o navegador levou água suficiente para 106 dias e alimentos para 120. A embarcação, batizada de I.A.T., foi construída especialmente para a expedição, com cerca de seis metros de comprimento.

A travessia começou em junho de 1984 e terminou em 18 de setembro, quando Klink chegou à Praia da Espera, em Itacimirim, na Bahia. Foram aproximadamente 6,5 mil quilômetros percorridos em uma pequena embarcação, sem companhia e sem a possibilidade de contar com ajuda imediata.

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Durante a viagem, o navegador precisou cuidar sozinho da alimentação, da navegação e da manutenção do barco. Também enfrentou tempestades, correntes marítimas e a aproximação de tubarões, que chegavam a se esfregar no casco da embarcação.

A solidão, no entanto, não foi necessariamente a parte mais difícil. Em conversa com a BBC News Brasil, Klink descreveu a experiência como uma escola que o ensinou a fazer mais com menos e a reconhecer a importância de pessoas que, mesmo sem aparecer, contribuem para a vida de alguém.

Ao alcançar a Bahia, Klink concluiu a primeira travessia solo do Atlântico Sul a remo. O feito se tornou o marco inicial de uma trajetória de expedições que continuaria nas décadas seguintes.

A narrativa combina a experiência no oceano com cenas da vida familiar do protagonista. A relação conflituosa com o pai, a ligação com a mãe e a preparação para a viagem ajudam a compor a versão cinematográfica da história. Esses elementos fazem parte do recorte escolhido pelas roteiristas Elena Soarez e Thais Tavares para levar a trajetória do navegador às telas.

Para representar o oceano, a produção combinou filmagens no mar, em Bertioga, no litoral paulista, com cenas realizadas em estúdio. Um tanque de aproximadamente 400 metros quadrados permitiu simular ondas, ventos e tempestades em condições controladas, enquanto os efeitos visuais ajudaram a recriar a amplitude do Atlântico. O orçamento para o longa foi de R$ 30 milhões.

Publicado em 1985, “Cem dias entre céu e mar” registra a aventura e os preparativos que tornaram a viagem possível. No livro, Klink relata os desafios técnicos e as experiências vividas durante os meses no oceano, transformando a expedição em uma narrativa que chegou a um público muito maior do que o dos interessados em navegação. Desde então, Klink já publicou uma série de outros livros.

Radicado nos EUA, Saldanha contou também em entrevista ao GLOBO que o livro o chamou a atenção ainda na adolescência. A ideia surgiu como uma oportunidade para que o cineasta pudesse contar uma história “bem brasileira”.

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